quarta-feira, 5 de março de 2014

Opinião «A Filha do Barão» - Célia Loureiro

Dou cinco estrelas a um livro quando considero que não lhe falta nada, nem uma boa escrita, nem interesse e emoção num bom enredo que nos leva a ler a história de um sopro. «A Filha do Barão» merece-o. É um romance bem delineado, sem pontas soltas: um bom enredo, com bons personagens e uma pesquisa histórica interessante e contada de forma leve, sem maçar o leitor.





A escrita da Célia já me era conhecida e nunca tive dúvidas quanto ao seu talento, mas confesso que não consigo encontrar semelhanças entre esta escrita e a da obra «O Funeral da nossa mãe», que tive a oportunidade de ler. A autora soube reinventar-se ao escrever esta história de forma sublime, com uma linguagem adequada à época, diálogos tão bons que nos obrigam a mergulhar na história e a devorá-la, amando e odiando personagens simultaneamente.
Em primeiro lugar, a Mariana: rebelde, caprichosa, teimosa e generosa, amiga, amante, um pilar, uma força da natureza. Adorei-a desde o princípio, sorri e sofri com ela, mas também me entristeci com algumas das suas atitudes, o que só a tornam humana. Não é perfeita e este facto foi o que me levou a amá-la desde o primeiro momento: "Como é ela?", perguntavam constantemente a Daniel. E ele respondia, encolhendo os ombros: "É pequena, uma criança. Parece uma cigana de beira de estrada". Este é o primeiro ponto forte da história. Como a própria autora me revelou, não é fácil amar o feio, o pouco desejável, e é por esse motivo que é tão interessante ver a relação entre Daniel e Mariana crescer. Pois esta criança, pequena, lisa como uma tábua e teimosa a ponto de obrigar qualquer um a levá-la ao café do Comércio comer um gelado de chocolate, sempre de chocolate, foi sempre o pilar da história e eu amei-a como a uma amiga de longa data. Achei-a demasiado egoísta e caprichosa mais para o final da história, mas quem lhe poderia tirar a liberdade que sempre lhe correu no sangue? Quem a podia condenar por desejar sair da solidão, da melancolia e da tragédia, que nunca fizeram parte do seu carácter?
Gostei do Daniel e dos seus princípios desde o início. Não sei porquê, mas sempre pensei que ele tinha alguma malícia em relação à Mariana e que seria, em parte, um pouco o vilão da história, mas surpreendeu-me pela positiva. O Gustave foi, para mim, uma alma bondosa que me trouxe paz e amor no meio da guerra, ao passo que Daniel me transmitia sempre inquietação e o desejo que Mariana sentia por ele. Pobre Gustave...
O livro está tão cheio de personagens boas que é difícil falar de todas elas, mas destaco ainda D. Sofia, a quem odiei, mas acabei por perdoar, a bondade de D. João, a velha Nuna, que me deixou um peso no coração, Artur, que me fez rir, Zé e a sua ingenuidade, e até Elizabeth e Joaquim, por cujo amor sempre torci. E aquele final? ai, o final...quanto tempo teremos de esperar para saber a continuação? Quero muito que seja verdade. Adorei este desfecho.
A escrita: limpinha, bonita, arrebatadora, como a autora já nos habituou, com um toque de romance ousado que não conhecia da Célia e que amei. Parabéns, Célia! Tens aqui uma obra com «O» maiúsculo e sei o quanto te esforçaste para a ter assim, linda, no papel. Mereces todas estas estrelinhas. Força. Sabes que estarei sempre deste lado a apoiar-te e a partilhar esta paixão que são letras, são palavras e são sentimentos. São amores, são paixões, são histórias, são sonhos. Fizeste-me feliz e acho que é essa a função de um autor: fazer feliz quem nos lê. Um enorme beijinho e continua sempre. Escreve como se o amanhã fosse um número fora do calendário :)
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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Opinião «Entre o agora e o nunca», de J. A. Redmerski

Um romance fofinho com uma boa dose de pimenta que se tornou, para mim, viciante. Li-o em dois dias sofregamente. Queria saber mais e mais sobre a Cameryn e o Andrew, à medida que as páginas iam voando nas minhas mãos. Uma leitura leve e descontraída até meio do livro, que se tornou impulsiva, enquanto a relação entre ambos ia desabrochando.






A autora sabe, sem dúvida, espicaçar o interesse do leitor e jogou uma boa cartada final, que me ia fazendo parar o coração e que me levou a emocionar-me várias vezes. Não gostei muito da linguagem usada, especialmente o uso de palavrões, mas consegui inseri-los bem em cada um dos personagens. Adorei o Andrew, especialmente, pelo seu carácter livre, divertido e romântico ao seu jeito peculiar. A Cameryn, a meu ver, como personagem principal, não me cativou, embora tenha compreendido os motivos que lhe moldavam o carácter. Acho que ela só era forte junto do Andrew, o grande alicerce da história. Andei até ao final sem saber se a obra merecia, de facto, as cinco estrelas, mas aquele final arrebatou-me. Adorei as tatuagens e os seus motivos e, claro, aquele último presente que a autora nos concedeu. Muito romântico. Cá aguardo o segundo volume para saber que outras surpresas tem a autora preparadas.
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Opinião «A rapariga que roubava livros»

Tinha tudo para lhe dar cinco estrelas, mas o final ficou aquém das minhas expectativas. Tantas questões por responder, tanta chacina...eu sei, é a guerra, mas acima de tudo, «A rapariga que roubava livros» é um livro e Liesel merecia mais. Rudy merecia mais. E até Max. Não havia necessidade de acabar com tudo daquela forma, tão triste, tão desumano. Para onde foi Max? O que lhe aconteceu? Quem era o marido e os três filhos de Liesel? O narrador dá-nos tantos pormenores desta rapariga que roubava livros ao longo da história e depois deixa-nos sem nada, quando queríamos tudo. Já nos apaixonámos por ela, já nos apaixonámos por Rudy, e depois? Nem um beijo, saumesh?






Markus Zusak, destruíste todos os meus sonhos a meio do livro e depois pegaste neles e cortaste-lhes cada pedacinho do corpo já morto. Como se isso não bastasse, lançaste o que restava dos sonhos à fogueira dos capachos de Hitler e dessa vez não havia nenhuma rapariga de dez anos pronta a resgatá-los.
É um livro sublime, contado de uma forma original, poética, dramática e humorística ao mesmo tempo. Adorei Liesel e a sua relação com as palavras e os livros, adorei Max e «O homem debruçado». E o que dizer de «A sacudidora de palavras»? Perfeito, uma das cenas mais bonitas do livro e que me fez chorar. Fez-me chorar também a parada dos judeus em que Hans Hubermann dá pão a um judeu, a cena em que Rudy e Liesel espalham pão ao longo do caminho e uma outra, quando a rapariga encontra Max e lhe recorda a sua história. Amizade. É disso que se trata, não é? Uma árvore de amizade que ninguém pode destruir, nem um partido, nem uma religião, nem a guerra e a sede de poder. Uma das partes mais emocionantes da história, mas...E Hans Hubermann? Não, Markus, não podias ter-lhe feito o que fizeste. É imperdoável. Adorei este homem de olhos de prata. Tinhas de lhe ter dado mais tempo, a ele e a Liesel. Eles precisam um do outro e do seu acordeão, nas noites de pesadelo e de leituras escondidas. Meu Deus, arruinaste as minhas noites e os meus dias calmos. Jamais voltarão a ser calmos. E em noites de pesadelo, sei que verei de novo Liesel e Rudy juntos na alfaiataria do pai dele, mas desta vez, eles beijam-se no chão, quando ele tropeça e cai aos pés dela. E quando Liesel lhe mostrar o livro escrito por Max, Rudy perguntar-lhe-á, da mesma forma: "Falaste-lhe de mim?" E ela dirá, da mesma forma: "É claro que lhe falei de ti". E acrescentará: "Amo-te. Amei-te sempre. Não o sabes? Beija-me, saurkel".
Parabéns, Markus Zusak. Cá estarei à espera de mais uma obra tua, para que me destruas os sonhos que ainda me restam. Sim, é tão irónico quanto a morte: beleza e dor ao mesmo tempo. Quem não a aprecia?(less)
                  
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Fotografia

As fotografias são da autoria de Rui Canelas.
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